Renata Bicalho 

Escritora

A escolhida para ser homenageada hoje na coluna “Mulheres que Inspiram” foi a dona de uma das vozes femininas mais relevantes do Brasil, a escritora de contos e poesias, Cora Coralina.

Ana Lins dos Guimarães Peixoto, conhecida pelo pseudônimo que escolhera para si, Cora Coralina, teve seu primeiro livro publicado aos 75 anos de idade. Nascida em 20 de agosto de 1889, em Goiás, ela começou a escrever poemas aos 14 anos de idade. Teve pouco estudo, não chegou ao ensino médio, viveu longe dos centros urbanos a maior parte da sua vida e foi uma mulher simples, mas dona de uma “rica experiência humana”, nas palavras de Carlos Drumond de Andrade, que, elogiando ‘Vintém de Cobre’, um dos livros de autoria dela, disse:

“Minha querida amiga Cora Coralina: Seu Vintém de Cobre é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( …) ”

“Os elementos folclóricos que faziam parte do cotidiano de Ana serviram de inspiração para que aquela frágil mulher se tornasse a dona de uma voz inigualável e sua poesia atingisse um nível de qualidade literária jamais alcançado até aí por nenhum outro poeta do centro-oeste brasileiro.

Senhora de poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.” (wikipedia)

Cora Coralina recebeu muitos prêmios e deixou um legado especial de poesias e contos. Faleceu em 1985, aos 95 anos de idade.

“Não sei se a vida é curta, ou longa demais pra nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura, enquanto durar”.

Poema “Saber Viver”  – Cora Coralina

 

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