Renata Bicalho 

Escritora

Depois de alguns dias tumultuados de mudança de casa, embalando, encaixotando e logo desembalando e desencaixotando todos os seus pertences, buscando novos lugares, armários e gavetas onde organizar e guardar tudo, uma pequena pausa para descansar era necessária!

O sol já havia se posto. Caia a noite. O céu escurecendo, azul quase preto. Ela decidiu que seria um bom momento para se sentar no jardim e apreciar a lua refletida nas águas da piscina, contar as estrelas, sentir o cheiro de chuva que estava no ar ameaçando molhar tudo.

Sentou-se na cadeira de plastico fria e apreciava a merecida pausa. Ouvia o barulho das folhas ao vento e uma música suave que tocava baixinho vinda da casa de algum vizinho. Fechou os olhos e apreciou o momento, sentindo uma enorme gratidão por tudo o que estava passando. Sentiu um aroma delicado de flores noturnas que chegava devagar e inundava o ambiente, deixando a noite ainda mais especial.

Embriagada por toda a natureza ao seu redor, ouviu um ruído diferente, forte, como se um animal ali perto tivesse esbarrado em algo. Estava escuro e as luzes do jardim estavam apagadas. Chamou pelo seu cachorro, segura de que era ele chegando ainda meio perdido ali. Ele não veio. O barulho se repetiu. Como não haviam luzes ali e a noite já havia caído, as únicas luzes que vinham eram da lua e das estrelas. Ela se levantou e procurou pelo cachorro, mas o que viu não foi ele. Um tatu grande fazia buracos no jardim e, logo atrás dele, outro tatu caminhava desajeitado, virando de um lado para o outro e trombando nos vasos de plantas que ainda estavam espalhados, esperando pelo seu lugar definitivo no novo lar.

Ela deu um pulo. Que susto! No escuro, em meio à paz e ao seu descanso, não um, mas dois tatus! Será que eram eles invadindo sua casa nova ou ela invadindo o lar deles?

Na dúvida, ela se despediu dos animais e entrou na casa, fechando a porta atrás de si para que os tatus não se sentissem convidados a entrar também.

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